O FESTIVAL

O propósito que move o Festival Internacional de Cinema do Vale do Jaguaribe faz lembrar os antigos cinemas mambembes, quando amantes da sétima arte perambulavam por longínquas cidades, apenas com um projetor e uma tela branca, a fim de levar as emoções do cinema para quem a elas não tinha acesso. Os tempos mudaram, é verdade. Muitas dessas cidades chegaram a ter suas próprias salas de cinema, que depois foram fechadas com o surgimento da televisão. Agora, temos também a internet, que abre um mundo de possibilidades com seus canais de vídeos e downloads gratuitos. Mas é preciso dizer: o propósito ainda vive! Ainda há quem acredite que nada é capaz de substituir a magia de uma sala escura, com uma enorme tela a nos contar histórias do mundo afora.

O 2º Cine FestiVal acontece de 18 a 21 de março, na cidade de Russas, a 160km de Fortaleza, com exibições de 18 curtas-metragens, realização de oficinas e atividades paralelas. Depois de uma encantadora estreia em 2013, com grande aceitação do público, esta edição dá um passo importante: a programação assume caráter internacional, com a exibição de nove curtas estrangeiros. Em 2015, Hilton Lacerda, um dos maiores roteiristas do Brasil, é nosso homenageado e convidado especial.

As produções concorrem ao Troféu Araibu nas categorias melhor curta nacional, melhor curta estrangeiro, melhor produção cearense, melhor diretor, melhor roteiro, melhor atriz, melhor ator, melhor fotografia, melhor direção de arte, melhor trilha sonora, melhor montagem e melhor som.

A ideia de levar um festival ao interior do Ceará pretende resgatar o valor do cinema como espaço em que a cidade se encontra e acontece como modelo solidário de convivência. Assistir a um filme numa sala escura é uma experiência que ultrapassa a relação direta do expectador com o conteúdo apresentado.

Na sala de cinema, todos comparecem juntos, ao mesmo tempo, com o mesmo objetivo. Isso transforma a fruição do filme num ato coletivo, jamais comparável à audiência através de um monitor de TV ou de computador – relação também válida, todavia de natureza individual, em que a interação restringe-se àquele indivíduo com o filme que se desenrola à sua frente.

Na sala escura, por outro lado, há a energia comum que motivou o encontro de muitos em torno do filme exibido. Há o compartilhamento das emoções positivas e dos desagrados pressentidos na proximidade de cada vizinho de poltrona. O envolvimento da frontalidade com a tela grande. E o grande final em que a luz se acende e a cumplicidade de ter estado ali, em comunhão estética, perpassa as expressões de todos os rostos que ressurgem.

Vamos juntos! Boa sessão.

©2017 CineFestiVal Festival Internacional do Vale do Jaguaribe

Uma produção Deberton Entretenimento
SAUTO